Resumo
May e might são pequenos auxiliares que carregam muito significado na prosa acadêmica. Ambos indicam possibilidade, mas diferem no comportamento temporal, nuances típicas de probabilidade e se implicam permissão. Use o infinitivo simples após eles para possibilidade no tempo presente (may/might + V) e have + particípio passado para possibilidade no passado (may/might have + V-ed). Em discurso indireto e enquadramento no passado, prefira might (retrocesso): “I thought she might attend,” não “I thought she may attend.”
Semântica: Em muitos contextos, os dois são intercambiáveis para possibilidade epistêmica, mas may soa um pouco mais provável ou imediato (“Analysts may observe…”), enquanto might pode parecer mais hipotético ou remoto (“Analysts might observe…”). Use may para conceder, negar ou solicitar permissão (“May I…?” “You may not…”); evite can quando quiser dizer permissão em vez de habilidade, e evite might para permissão na prosa formal moderna. Para condições contrafactuais sobre o passado, might have é o padrão: “If X had occurred, Y might have followed.”
Desambiguação e precisão: “May not” pode significar “não é permitido” ou “possivelmente não”; escreva “must not / cannot” para proibição e “might not / may or may not” para incerteza. Na escrita científica, prefira “may indicate/suggest/reflect” para inferência cautelosa, e evite exageros com “prove” ou “will.” Em textos legais/normativos, may frequentemente indica discricionariedade (“é permitido”), enquanto shall/must indicam obrigação—não os misture.
Resumo: Escolha may quando expressar possibilidade, tipicidade ou permissão no tempo presente; escolha might quando fizer retrocesso para o passado, indicar possibilidade mais fraca ou contrafactual, ou evitar a interpretação de “permissão”. O guia abaixo oferece regras, mapas de nuances, árvores de decisão, padrões específicos de disciplinas e dezenas de modelos para copiar e colar que ajudam você a usar may e might com confiança em teses, artigos e relatórios.
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Usando corretamente os verbos auxiliares Might e May na escrita acadêmica
Forma, significado, nuance e orientações específicas por disciplina
A escrita acadêmica e científica é um instrumento de precisão. Palavras pequenas carregam grandes implicações para evidência, certeza, referência temporal e até ética. Duas das menores — e mais consequentes — são os auxiliares modais may e might. Ambos são veículos comuns para expressar possibilidade, mas também sinalizam permissão, probabilidade, hipótese e contrafactualidade. Este guia apresenta as regras principais e depois explora as sutilezas que importam para teses, artigos científicos, propostas de financiamento e relatórios.
1) Forma: como a gramática funciona
-
Possibilidade no presente: may/might + infinitivo sem to (sem “to,” sem
-s):
✔ “Ela may go.” ✔ “Ele might be certo.” ✘ “Elamay goes.” ✘ “Elemight iscerto.” -
Possibilidade no passado (retrospectiva): may/might + have + particípio passado:
✔ “Ela may have gone já.” ✔ “Ele might have been presente.” ✘ “Elamay went.” ✘ “Elemight was.” - Negação: coloque not após o modal: “may not,” “might not.”
- Perguntas: inverta o modal: “May we proceed?” “Might this explain the discrepancy?”
2) Tempo verbal e retrocesso: quando o contexto é passado
Might historicamente funciona como o equivalente no passado de may. No inglês moderno isso aparece mais claramente no retrocesso após verbos de relato no passado e em orações com referência temporal passada:
- Quadro presente → may: “Nós achamos que ela may participar.”
- Quadro passado → might: “Nós achávamos que ela might participaria.”
- Inferência retrospectiva → may/might have: “Ela may/might have participado, dado o registro do crachá.”
3) Semântica: possibilidade, probabilidade e nuance
Para uso epistêmico (avaliação do falante sobre o que é verdadeiro), may e might frequentemente se sobrepõem. Ainda assim, leitores experientes percebem uma leve diferença:
| Sinal | Leitura típica | Exemplo |
|---|---|---|
| may | orientado ao presente, probabilidade um pouco maior | “Este polimorfismo may influenciar a resposta ao medicamento.” |
| might | mais hipotético/remoto, ou orientado ao passado | “Em amostras pequenas, o efeito might desaparecer.” |
Como a diferença é sutil e dependente do contexto, não complique demais. Se precisar graduar confiança, combine o modal com um advérbio escalar ou verbo (“provavelmente,” “possivelmente,” “parece,” “sugere”).
4) Permissão vs habilidade: may ≠ can
Na escrita formal, use may para permissão e can para habilidade/capacidade:
- Permissão: “Estudantes may enviar eletronicamente.” “May eu citar o preprint?”
- Habilidade: “Este ensaio can detectar 10 cópias por mL.”
5) Contrafactuais e condicionais
Para discutir condições passadas não realizadas ou hipotéticas, use por padrão might (have):
- Passado contrafactual: “Se a amostra tivesse sido maior, a interação might have teria alcançado significância.”
- Presente/futuro remoto: “Se os recursos fossem ilimitados, nós might estenderíamos o acompanhamento para 5 anos.”
May have é possível em contrafactuais, mas é menos idiomático que might have para muitos leitores.
6) Expressões fixas e colocação
- may well + verbo (“plausível/bastante provável”): “O metabólito may well pode mediar o efeito.”
- might (just) as well (“sem melhor alternativa”): “Com o servidor fora do ar, nós might as well redigir os métodos.”
- may as well (orientado ao presente; neutro); might as well (frequentemente orientado ao passado ou um pouco mais resignado).
- para que … may (propósito, formal): “Anonimizamos IDs para que os participantes possam responder livremente.”
7) Notas sobre registro e disciplina
- Ciências & medicina: Atenue afirmações causais: “X may estar associado a Y,” “Resultados may refletir erro de medição.” Reserve “will” para procedimentos planejados, não resultados, e “prove” para matemática.
- Humanidades & ciências sociais: Use may/might para marcar possibilidade interpretativa: “Este motivo may indicar ansiedade social,” “A política might ter surgido da pressão fiscal.”
- Lei/política/padrões: may = permissão discricionária; shall/must = obrigação. Misturá-los pode deturpar a força legal.
- Correspondência formal: “May I request an extension?” é cortês; “Might I…?” é muito formal/arcaico; “Can I…?” é informal (habilidade, não permissão).
8) Desambiguando “may not” e similares
| Significado pretendido | Preferir | Evitar | Exemplo |
|---|---|---|---|
| Proibição | não devem / não têm permissão para | “may not” ambíguo | “Os participantes não devem comer após as 20:00.” |
| Incerteza (neg) | pode não / “pode ou pode não” | “may not” ambíguo | “O dispositivo pode não disparar em baixa voltagem.” |
| Incerteza (pos) | may/might | "will" (se não tiver certeza) | "Parar cedo pode enviesar as estimativas." |
9) Erros comuns e como corrigi-los
| Erro | Por que está errado | Melhor |
|---|---|---|
| "Ela |
Modal deve usar infinitivo sem 'to' | "Ela pode ir ao laboratório." |
| "Nós |
O tempo passado precisa de retrocesso | "Nós achamos que ela poderia comparecer." |
| "O comitê |
can = habilidade, não permissão | “O comitê may aprovar.” |
| “Se inscritos mais cedo, eles |
O passado contrafactual prefere might have | “…, eles might have improved.” |
| “Participantes |
Ambíguo (proibição vs incerteza) | “Participantes must not comer após as 20h.” |
10) Uma “escada de mitigação” para resultados e discussão
Às vezes a questão não é may vs might, mas quão cauteloso ser. Combine modais com verbos/advérbios de mitigação para ajustar a força da sua afirmação:
| Mais forte (ainda cauteloso) | Médio | Mais suave |
|---|---|---|
| “Resultados likely refletem …” | “Resultados may refletir …” | “Resultados might refletir …” |
| “Dados support …” | “Os dados sugerem …” | “Os dados são consistentes com …” |
| “É provável que …” | “É possível que …” | “Não se pode descartar que …” |
11) Árvore de decisão (textual) para escolher may vs might
- “Are you granting/denying/requesting permission?” → Use may (“May we…?” “You may not…”). Não use might para permissão na prosa formal contemporânea.
- “Is the clause anchored in past time (reported thought, past frame)?” → Use might (ou might have para resultados passados).
- “Is it a counterfactual about the past?” → Use might have.
- “Otherwise, expressing possibility:” Ou may ou might; escolha conforme a nuance (presente/típico vs hipotético/remoto). Se a probabilidade importar, adicione “likely/possibly/perhaps.”
- “Could “may not” be misread as prohibition?” → Reformule (“must not,” “might not,” “may or may not”).
12) Modelos adaptados à disciplina (copiar & adaptar)
Ciências da vida / medicina
- “CRP elevado pode indicar inflamação sistêmica, mas pode também refletir infecção intercorrente.”
- “Pacientes recebendo ≥10 mg/dia podem experimentar fadiga; os clínicos podem considerar redução da dose.”
- “Se a randomização tivesse sido estratificada por local, os efeitos do local poderiam ter sido atenuados.”
Engenharia / ciências físicas
- “O ciclo térmico pode degradar juntas de solda por crescimento intermetálico.”
- “Em números de Reynolds mais baixos, a esteira pode fazer transição intermitentemente.”
- “Na presença de umidade, o polímero pode sofrer hidrólise; recomenda-se armazenamento a ≤4 °C.”
Ciências sociais / humanidades
- “A retórica pode indicar normas de autoridade em mudança.”
- “Dadas as lacunas arquivísticas, a aliança poderia ter sido mais contingente do que se presumia.”
- “Se o censo tivesse incluído migrantes, as taxas de urbanização poderiam ter parecido maiores.”
13) “May” para tipicidade e declarações de risco
A prosa acadêmica e regulatória frequentemente usa may para indicar resultados possíveis, mas não inevitáveis—especialmente onde segurança ou ética estão envolvidas:
- “Os participantes podem experimentar tontura leve.”
- “Os investigadores podem encontrar atrasos na obtenção de permissões.”
- “O uso do dispositivo pode resultar em irritação na pele.”
14) Sutis que vale a pena conhecer (mas não exagerar)
- “Might … but” para recusa educada / improbabilidade extrema: “Eu might comparecer, mas os prazos tornam isso improvável.”
- Características dialetais a evitar em prosa formal: modais duplos (“might could”), que são regionalmente válidos mas não padrão acadêmico.
- “Para que … may” vs “para que … can”: “may” soa mais formal/intencional; “can” é mais simples. Escolha consistentemente conforme seu registro.
15) Prática: revise para precisão
| Exagerado/ambíguo | Melhorado (com may/might) | Por que é melhor |
|---|---|---|
| “A política reduzirá a desigualdade.” | “A política pode reduzir a desigualdade, particularmente entre X.” | Cautela apropriada |
| “We can use dataset Y.” | “We may use dataset Y (permission granted by Z).” | Esclarece permissão |
| “We thought the catalyst may work.” | “We thought the catalyst might work.” | Deslocamento temporal para o passado |
| “Subjects may not comply.” | “Subjects might not comply.” / “Subjects are not permitted to withdraw samples.” | Remove ambiguidade |
16) Lista de verificação para edição (imprimir antes da submissão)
- [ ] Bare infinitive after may/might; have + past participle for past possibility.
- [ ] Backshift to might in past-time reported thought/speech.
- [ ] “May” used for permission; “can” reserved for ability.
- [ ] Ambiguous “may not” rewritten as prohibition (must not) or uncertainty (might not).
- [ ] Counterfactuals use might have.
- [ ] Hedging strength appropriate (may/might + suggest/indicate vs will/prove).
- [ ] Legal/policy texts maintain may (discretion) vs shall/must (obligation) consistently.
Conclusão: palavras pequenas, grandes consequências
Escolher entre may e might raramente é sobre memorizar “certo vs errado” e mais sobre alinhar o período de tempo, o objetivo comunicativo e o grau de compromisso. Use may quando quiser indicar possibilidade, tipicidade ou permissão no tempo presente; use might para contextos deslocados no tempo, hipotéticos ou contrafactuais. Quando a precisão sobre probabilidade ou política for crucial, combine esses modais com qualificadores explícitos (“likely,” “possibly,” “must not”) ou com evidências numéricas. Com essas ferramentas—e os modelos acima—você pode manter suas afirmações calibradas, sua ética clara e sua prosa inconfundivelmente profissional.